Mostrando postagens com marcador Fernando Pessoa. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Fernando Pessoa. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 8 de novembro de 2022

Amor aos corações

Tenho pensamentos que, 
se pudesse revelá-los e 
fazê-los viver, 
acrescentariam nova 
luminosidade às estrelas, 
nova beleza ao mundo e 
maior amor ao 
coração dos homens.
Autor: Fernando Pessoa

quarta-feira, 23 de março de 2022

Às vezes ouço...

Às vezes ouço passar o vento; 
e só de ouvir o vento passar, 
vale a pena ter nascido.
Fernando Pessoa

terça-feira, 21 de maio de 2019

sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

Se perder um amor

Se perder um amor... não se perca!
Se o achar... segure-o!
Circunda-te de rosas, ama, bebe e cala.
O mais... é nada.
Fernando Pessoa


terça-feira, 4 de outubro de 2016

Quem tem dois corações

Quem tem dois corações
Me faça presente de um
Que eu já fui dono de dois
E já não tenho nenhum
Dá-me beijos, dá-me tantos
Que enleado em teus encantos
Preso nos abraços teus
Eu não sinta a própria vida
Nem minh'alma ave perdida
No azul amor dos teus céus
Botão de rosa menina
Carinhosa, pequenina
Corpinho de tentação
Vem morar na minha vida
Dá em ti terna guarida
Ao meu pobre coração
Quando passo um dia inteiro
Sem ver o meu amorzinho
Cobre-me um frio de janeiro
No junho do meu carinho.
Fernando Pessoa

quinta-feira, 6 de agosto de 2015

Não diga nada...

Não digas nada! 
Nem mesmo a verdade 
Há tanta suavidade em nada se dizer 
E tudo se entender
Tudo metade 
De sentir e de ver... 
Não digas nada 
Deixa esquecer
Talvez que amanhã 
Em outra paisagem 
Digas que foi vã 
Toda essa viagem 
Até onde quis 
Ser quem me agrada... 
Mas ali fui feliz 
Não digas nada.
Fernando Pessoa


sábado, 11 de julho de 2015

É fácil....

É fácil trocar as palavras,
Difícil é interpretar os silêncios!
É fácil caminhar lado a lado,
Difícil é saber como se encontrar!
É fácil beijar o rosto,
Difícil é chegar ao coração. 
Fernando Pessoa



terça-feira, 3 de março de 2015

Fresta

Em meus momentos escuros 
Em que em mim não há ninguém, 
E tudo é névoas e muros 
Quanto a vida dá ou tem, 
Se, um instante, erguendo a fronte 
De onde em mim sou aterrado, 
Vejo o longínquo horizonte 
Cheio de sol posto ou nado 
Revivo, existo, conheço, 
E, ainda que seja ilusão 
O exterior em que me esqueço, 
Nada mais quero nem peço. 
Entrego-lhe o coração.
Fernando Pessoa

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

Segue o teu...

Segue o teu destino,
Rega as tuas plantas,
Ama as tuas rosas.
O resto é a sombra
De árvores alheias.
A realidade
Sempre é mais ou menos
Do que nós queremos.
Só nós somos sempre
Iguais a nós próprios.
Suave é viver só
Grande e nobre é sempre
Viver simplesmente.
Deixa a dor nas aras
Como ex-voto aos deuses.
Fernando Pessoa

sábado, 22 de novembro de 2014

Eu amo...

Eu amo tudo o que foi
Tudo o que já não é
A dor que já me não dói
A antiga e errônea fé
O ontem que a dor deixou,
O que deixou alegria
Só porque foi, e voou
E hoje é já outro dia.
Fernando Pessoa



quarta-feira, 12 de novembro de 2014

Presságio

O amor, quando se revela,
Não se sabe revelar.
Sabe bem olhar pra ela,
Mas não lhe sabe falar.
Quem quer dizer o que sente
Não sabe o que há de dizer.
Fala: parece que mente…
Cala: parece esquecer…
Ah, mas se ela adivinhasse,
Se pudesse ouvir o olhar,
E se um olhar lhe bastasse
Pra saber que a estão a amar!
Mas quem sente muito, cala;
Quem quer dizer quanto sente
Fica sem alma nem fala,
Fica só, inteiramente!
Mas se isto puder contar-lhe
O que não lhe ouso contar,
Já não terei que falar-lhe
Porque lhe estou a falar…
Fernando Pessoa

segunda-feira, 3 de novembro de 2014

Entre o luar e o arvoredo

Entre o luar e o arvoredo, 
Entre o desejo e não pensar 
Meu ser secreto vai a medo 
Entre o arvoredo e o luar. 
Tudo é longínquo, tudo é enredo. 
Tudo é não ter nem encontrar. 
Entre o que a brisa traz e a hora, 
Entre o que foi e o que a alma faz, 
Meu ser oculto já não chora 
Entre a hora e o que a brisa traz. 
Tudo não foi, tudo se ignora. 
Tudo em silêncio se desfaz.
Fernando Pessoa